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Poesia · Amor · 2010

Lentamente, o barquinho

foi se afastando da margem
e o rio, misterioso, assumiu o seu destino
dizendo simplesmente que já era muito tarde.

No deixar-se ir ficou o gosto amargo
de quem chora por uma presença querida.
Tão puro quanto a mais simples gota de orvalho
o barquinho partiu feliz da vida.

Do alto, alguém com olhos brilhantes
contemplou-o de modo impassível e confiante.
As nuvens teimosas e mirabolantes
abriram os braços para receber ao vento itinerante.

O menino, curioso,
viu o seu barquinho de papel se afastar.
Teve vontade de tomá-lo do rio silencioso
mas decidiu deixá-lo ir e retornar para casa.

— Rose Louise

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